CONSIDERAÇÕES DE MARCOLA SOBRE O ESTADO

Transcrição literal de trechos do depoimento do Sr. Marcos Herbas Camacho à CPI do tráfico de armas em junho de 2006.
(...)
Deputado Paulo Pimenta: Tu não és um preso, digamos assim, que tenha um perfil convencional. Tu és um cara que tem uma boa formação intelectual.
Marcola: Mas isso eu adquiri como autodidata. O Estado nunca me deu nada.
(...)
Marcola: Eu não acho um traficante melhor do que um Deputado nem um Deputado melhor que um traficante de armas. Pra mim é tudo igual.
Deputado Paulo Pimenta: Pra ti é tudo igual.
Marcola: Claro que é.
(...)
Marcola: (...) Eu acho uma violência desregrada, uma coisa hedionda, você matar um ser humano por que ele está passando na tua frente. Só que a PM (Polícia Militar) faz exatamente isso. Quando ela entra numa favela, ela faz exatamente isso e só com os miseráveis, por que eles não vão lá no Morumbi fazer isso. Eles não vão lá no Ibirapuera fazer isso, eles não vão... Eles vão aonde? Eles vão na Heliópolis fazer isso.
Deputado João Campos: Hã, hã. O...
(...)
Deputado João Campos: Qual era a fonte, o fornecimento das armas?
Marcola: Qualquer favela de São Paulo, do Rio de Janeiro, de qualquer lugar. Qualquer centro de miséria, que não tem comida, não tem educação, não tem saúde, mas tem droga e tem arma.
(...)
Marcola: É isso. A vida... Se o senhor pegar qualquer preso, a minha vida vai ser idêntica até o ponto em que tive acesso a livros. Aí minha vida muda.
Deputado Raul Jungmann: Por quê?
Marcola: Porque me faz raciocinar, me faz analisar que existe uma injustiça muito grande em nosso País. Que um jovem igual a mim, em vez de estar numa casa de detenção, na época, poderia estar numa universidade se tivesse tido um apoio do Estado. A gente começa a questionar esse poder do Estado - o senhor entendeu? -, porque a gente é vítima dele. Então, fica difícil. Aí, a partir de então, a gente vai criando uma consciência um tanto revoltada, mas uma consciência, que até então não tinha.
(...)
Deputado Maroni Torgan: Agora eu quero dizer, com todo respeito que eu tenho pela humanidade: o PCC existe para explorar os coitados dos presos que têm que sair para rua e trabalhar para eles. Tem que trabalhar, tem que ser criminoso. Se tu saíres, pagar tua pena, tu tens que ir para rua para ser criminoso.
Marcola: E o que os Deputados fazem?
Deputado Maroni Torgan: Tu tens que ir pra rua.
Marcola: E o que os Deputados fazem? Não roubam também? Roubam pra caralho.
Deputado Maroni Torgan: É isso vai ser outra coisa que tu vai ser indiciado também. Disso tu vai ser indiciado também.
Marcola: Só porque Deputado rouba eu vou ser indiciado?
Deputado Maroni Torgan: Por desacato. Disso tu vais ser indiciado.
Marcola: Que moral tem algum Deputado pra vir gritar na minha cara?
Deputado Maroni Torgan: Não existe, não existe...
Marcola: Nenhuma.
Deputado Maroni Torgan: Todo homem de bem tem moral de falar.
Marcola: Mas quem disse que... Cadê o homem de bem?
Deputado Maroni Torgan: Todo homem de bem, todo homem de bem defende sua família.
Marcola: Todo bandido fala que é homem de bem.
(...)
O Sr. Marcos Herbas Camacho cumpre pena de prisão em virtude de várias condenações. É considerado um dos líderes do crime organizado de São Paulo e de sua mais famosa facção, o PCC (Primeiro Comando da Capítal).
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Deputado Paulo Pimenta: Tu não és um preso, digamos assim, que tenha um perfil convencional. Tu és um cara que tem uma boa formação intelectual.
Marcola: Mas isso eu adquiri como autodidata. O Estado nunca me deu nada.
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Marcola: Eu não acho um traficante melhor do que um Deputado nem um Deputado melhor que um traficante de armas. Pra mim é tudo igual.
Deputado Paulo Pimenta: Pra ti é tudo igual.
Marcola: Claro que é.
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Marcola: (...) Eu acho uma violência desregrada, uma coisa hedionda, você matar um ser humano por que ele está passando na tua frente. Só que a PM (Polícia Militar) faz exatamente isso. Quando ela entra numa favela, ela faz exatamente isso e só com os miseráveis, por que eles não vão lá no Morumbi fazer isso. Eles não vão lá no Ibirapuera fazer isso, eles não vão... Eles vão aonde? Eles vão na Heliópolis fazer isso.
Deputado João Campos: Hã, hã. O...
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Deputado João Campos: Qual era a fonte, o fornecimento das armas?
Marcola: Qualquer favela de São Paulo, do Rio de Janeiro, de qualquer lugar. Qualquer centro de miséria, que não tem comida, não tem educação, não tem saúde, mas tem droga e tem arma.
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Marcola: É isso. A vida... Se o senhor pegar qualquer preso, a minha vida vai ser idêntica até o ponto em que tive acesso a livros. Aí minha vida muda.
Deputado Raul Jungmann: Por quê?
Marcola: Porque me faz raciocinar, me faz analisar que existe uma injustiça muito grande em nosso País. Que um jovem igual a mim, em vez de estar numa casa de detenção, na época, poderia estar numa universidade se tivesse tido um apoio do Estado. A gente começa a questionar esse poder do Estado - o senhor entendeu? -, porque a gente é vítima dele. Então, fica difícil. Aí, a partir de então, a gente vai criando uma consciência um tanto revoltada, mas uma consciência, que até então não tinha.
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Deputado Maroni Torgan: Agora eu quero dizer, com todo respeito que eu tenho pela humanidade: o PCC existe para explorar os coitados dos presos que têm que sair para rua e trabalhar para eles. Tem que trabalhar, tem que ser criminoso. Se tu saíres, pagar tua pena, tu tens que ir para rua para ser criminoso.
Marcola: E o que os Deputados fazem?
Deputado Maroni Torgan: Tu tens que ir pra rua.
Marcola: E o que os Deputados fazem? Não roubam também? Roubam pra caralho.
Deputado Maroni Torgan: É isso vai ser outra coisa que tu vai ser indiciado também. Disso tu vai ser indiciado também.
Marcola: Só porque Deputado rouba eu vou ser indiciado?
Deputado Maroni Torgan: Por desacato. Disso tu vais ser indiciado.
Marcola: Que moral tem algum Deputado pra vir gritar na minha cara?
Deputado Maroni Torgan: Não existe, não existe...
Marcola: Nenhuma.
Deputado Maroni Torgan: Todo homem de bem tem moral de falar.
Marcola: Mas quem disse que... Cadê o homem de bem?
Deputado Maroni Torgan: Todo homem de bem, todo homem de bem defende sua família.
Marcola: Todo bandido fala que é homem de bem.
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O Sr. Marcos Herbas Camacho cumpre pena de prisão em virtude de várias condenações. É considerado um dos líderes do crime organizado de São Paulo e de sua mais famosa facção, o PCC (Primeiro Comando da Capítal).
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3 Comments:
Porra, mto bom esse blog, cara(s). Seria um prazer poder conhecer e tentar contribuir.
abraço
Eu realmente espero que o desfecho (se houver) dessa história toda (PCC - Tráficos - Polícia - Estado - Corrupção) justifique os meios empregados por Marcola. É notável a consciência deste verdadeiro líder (que é produto de toda a sujeira de nossa sociedade, como ele mesmo dá a entender).
Que bom seria se todo ser humano tivesse em si esse mesmo espírito de mudança, de quebra dos velhos padrões, de todas as "filosofias" hoje vigentes, que são como entulhos sobre nossas exploradas e estressadas costas. Mas claro, escolhendo uma forma também mais humana de ação.
Enfim, fica aqui meu apoio parcial a este "Vilão"... que de vil, a todos nós, ele não tem nada!
Basta a todos os crimes e injustiças deste mundo!
Justiça e Paz a Todos!!!
Mais uma vez venho deixar meu agradecimento ao blog q sem dúvida é o melhor q ja encontrei entre tantos
Parabens!!!
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