DOWNLOAD: JIMMY SMITH - MIDNIGHT SPECIAL - 1960

TV: A DROGA DA NAÇÃO





Televisão: a droga da nação

Criando ignorância

E emitindo radiação


Beatnigs





THE BEATNIGS - 1988
http://www.mediafire.com/?z1nyy0z51qz


(...)
O homenzinho girava com fúria a manivela do magneto, fala, fala, fala, conta, comunista filhodaputa, conta dos aparelhos, me dá os endereços, e os endereços dos padres, aqueles padres de merda, bichas, sabia que os padrecos não gostam de mulheres? Os fios no meu saco, nas plantas dos pés, fale, conta merdinhadebosta, e eu, frgsthfhtrygrufjutih jur itid narerad mertardstr frsgrtuiok jlo. E agora você vai saber por que me chamam de joão bonzinho disse o coronel enquanto enfiava um fio no canal de minha uretra e ligava o fio direto na tomada e eu sumia no mundo, com tanta dor que nem sentia dor, parece que meu pau tinha sido arrancado e eu não sentia mais ele, pensei que nunca mais ia meter, nem que tivesse mil babacas na minha frente. E o joão bonzinho enfiou um bastão no meu rabo e ligou o fio no magneto e girou a manivela e me caguei todo, a bosta escorreu pelas minhas pernas, eles morreram de rir e disseram que eu devia comer a bosta no chão porque tinha sujado a sala toda e o general comandante não gostava de sala suja. Eu estava cagando pra ter cagado, a dor dos choques, os músculos todos tremendo é que me enchia, ukgitgfyjhtyaaoaoirsgrt groitsgruio gruoatr areasresrea defers degrefregstrfncgui cracrecrecreicrocru, lambe o chão merda de comunista, bandido do caralho, lambe com a língua, limpe a bosta pro general não ver e até que bosta não é tão ruim assim, porque não tinha gosto, nem cheiro, parecia sopinha de criança e um sargento sugeriu que me dessem mijo como bebida pra acompanhar o almoço.
(...)
Ignácio de Loyola Brandão



DOWNLOAD: LALO SCHIFRIN - BULLIT OST - 1968

ARTE-SABOTAGEM


Queima pública de livros – porque caipiras reacionários & funcionários das alfândegas devem monopolizar essa arma? Livros sobre crianças possuídas pelo demônio; a lista de best sellers do The New York Times; tratados feministas contra a pornografia; livros escolares (especialmente de estudos Sociais, Educação Moral e Cívica & Saúde); pilhas do New York Post, Village Voice & outros jornais de supermercado; uma compilação de editoras cristãs; alguns romances populares – uma atmosfera festiva, garrafas de vinho & baseados numa tarde clara de outono.

Se certas galerias & museus merecem, de vez em quando, receber uma tijolada pela janela – não a destruição, mas sim uma sacudida na sua complacência -, então o que dizer dos BANCOS? Galerias transformam beleza em mercadoria, mas bancos transmutam a Imaginação em vezes & dívida. O mundo não ganharia um pouco mais de beleza com cada banco que tremesse... ou caísse?

Não faça piquetes – vandalize. Não proteste – desfigure. Quando feiúra, design podre & desperdícios estúpidos estiverem sendo impostos a você, transforme-se num ludita, jogue o sapato no mecanismo, retalie. Esmague os símbolos do Império, mas não o faça em nome de nada que não seja a busca do coração pela graça.

Hakim Bey em Caos



DOWNLOAD: THE LAST POETS - CHASTISMENT - 1972
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ESTUPIDEZ





Alguns cientistas acreditam que hidrogênio, por ser tão abundante, é o elemento básico do universo. Eu questiono este pensamento. Existe mais estupidez do que hidrogênio. Estupidez é o elemento básico do universo.

Frank Zappa










MAX ROMEO & THE UPSETTERS - WAR INA BABYLON - 1976
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TRIPALIUM











O significado da palavra trabalho remonta à sua origem latina: tripalium (três paus) - instrumento utilizado para subjugar os animais e forçar os escravos a aumentar a produção.

O tripalium era, pois, um instrumento de tortura, algo semelhante à cruz que o rebanho cristão adotou como
objeto-símbolo de um culto masoquista.

Vão-se os objetos, ficam as palavras: por volta do séc. 12, o termo já tinha ingressado nas línguas românicas - traball, traballo e trabalho (Port.), travail (Fr.), trebajo, trabajo (Esp.), travaglio (It.).

Embora na França rural, até hoje, travail ainda sirva
para designar uma variante do tripalium - uma estrutura de madeira destinada a imobilizar o cavalo para trocar ferraduras ou efetuar pequenas intervenções cirúrgicas-, em todas essas línguas o termo entrou como substantivo abstrato, significando "tormento, agonia, sofrimento".



CARLOS DAFÉ - PRA QUE VOU RECORDAR - 1977

CONSIDERAÇÕES DE MARCOLA SOBRE O ESTADO




Transcrição literal de trechos do depoimento do Sr. Marcos Herbas Camacho à CPI do tráfico de armas em junho de 2006.



(...)
Deputado Paulo Pimenta: Tu não és um preso, digamos assim, que tenha um perfil convencional. Tu és um cara que tem uma boa formação intelectual.
Marcola: Mas isso eu adquiri como autodidata. O Estado nunca me deu nada.
(...)
Marcola: Eu não acho um traficante melhor do que um Deputado nem um Deputado melhor que um traficante de armas. Pra mim é tudo igual.
Deputado Paulo Pimenta: Pra ti é tudo igual.
Marcola: Claro que é.
(...)
Marcola: (...) Eu acho uma violência desregrada, uma coisa hedionda, você matar um ser humano por que ele está passando na tua frente. Só que a PM (Polícia Militar) faz exatamente isso. Quando ela entra numa favela, ela faz exatamente isso e só com os miseráveis, por que eles não vão lá no Morumbi fazer isso. Eles não vão lá no Ibirapuera fazer isso, eles não vão... Eles vão aonde? Eles vão na Heliópolis fazer isso.
Deputado João Campos: Hã, hã. O...
(...)
Deputado João Campos: Qual era a fonte, o fornecimento das armas?
Marcola: Qualquer favela de São Paulo, do Rio de Janeiro, de qualquer lugar. Qualquer centro de miséria, que não tem comida, não tem educação, não tem saúde, mas tem droga e tem arma.
(...)
Marcola: É isso. A vida... Se o senhor pegar qualquer preso, a minha vida vai ser idêntica até o ponto em que tive acesso a livros. Aí minha vida muda.
Deputado Raul Jungmann: Por quê?
Marcola: Porque me faz raciocinar, me faz analisar que existe uma injustiça muito grande em nosso País. Que um jovem igual a mim, em vez de estar numa casa de detenção, na época, poderia estar numa universidade se tivesse tido um apoio do Estado. A gente começa a questionar esse poder do Estado - o senhor entendeu? -, porque a gente é vítima dele. Então, fica difícil. Aí, a partir de então, a gente vai criando uma consciência um tanto revoltada, mas uma consciência, que até então não tinha.
(...)
Deputado Maroni Torgan: Agora eu quero dizer, com todo respeito que eu tenho pela humanidade: o PCC existe para explorar os coitados dos presos que têm que sair para rua e trabalhar para eles. Tem que trabalhar, tem que ser criminoso. Se tu saíres, pagar tua pena, tu tens que ir para rua para ser criminoso.
Marcola: E o que os Deputados fazem?
Deputado Maroni Torgan: Tu tens que ir pra rua.
Marcola: E o que os Deputados fazem? Não roubam também? Roubam pra caralho.
Deputado Maroni Torgan: É isso vai ser outra coisa que tu vai ser indiciado também. Disso tu vai ser indiciado também.
Marcola: Só porque Deputado rouba eu vou ser indiciado?
Deputado Maroni Torgan: Por desacato. Disso tu vais ser indiciado.
Marcola: Que moral tem algum Deputado pra vir gritar na minha cara?
Deputado Maroni Torgan: Não existe, não existe...
Marcola: Nenhuma.
Deputado Maroni Torgan: Todo homem de bem tem moral de falar.
Marcola: Mas quem disse que... Cadê o homem de bem?
Deputado Maroni Torgan: Todo homem de bem, todo homem de bem defende sua família.
Marcola: Todo bandido fala que é homem de bem.
(...)

O Sr. Marcos Herbas Camacho cumpre pena de prisão em virtude de várias condenações. É considerado um dos líderes do crime organizado de São Paulo e de sua mais famosa facção, o PCC (Primeiro Comando da Capítal).




DOWNLOAD: AIRTO FOGO - 1976 - 320 Kbps
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ANONIMATO




As autoridades temem as máscaras por atrapalharem seu poder de identificar, rotular e catalogar: saber quem você é... Nossas máscaras não servem para esconder ou ocultar a nossa identidade, mas para revelá-la... Hoje nós devemos dar um rosto a essa resistência; colocando nossas máscaras demonstramos a nossa união; levantando as nossas vozes nas ruas nós descarregamos toda a raiva contra os poderosos sem rosto...


Mensagem impressa dentro das máscaras distribuídas no Carnaval Anticapitalista de 1999 que destruiu o distrito financeiro central de Londres.





DOWNLOAD: BIG BLACK - SONGS ABOUT FUCKING - 1987
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AGRADECIMENTOS



Agradecimentos a toda putada real portuguesa e européia em geral pelo estrago que fizeram ao longo dos séculos no berço da humanidade - África e seus descendentes.

Thank you very much USA, por patrocinar a exploração, a inflação, a fome e a miséria do nosso povo.

São Paulo à tarde, uma criança negra, suja, aparentemente doente, caminha devagar até o farol. Pede um dinheiro a um cara branco num Diplomata preto. Ele dá uma merreca e sai todo orgulhoso, se achando o cara. No segundo farol, um moleque negro, 17 anos aproximadamente, atravessa entre os carros. O cara do Opala saca uma pistola automática no console do carro com os olhos arregalados. Ele tem medo, fecha o vidro do carro. O Brasil é isso.

Negro bom é aquele que não oferece perigo. Sem instrução, sem estrutura de família, sem ambição. Homem negro seja um bom cidadão. Acorde às 6h, pegue o ônibus às 7h, entre no trabalho às 8h, almoce às 12h, vá embora às 18h. Ganhe mais ou menos US$70 por mês. Depois de muita correria, cale a boca e vá dormir que amanhã cedo é dia de "branco" - isso se você for um privilegiado que ainda tem um emprego e trabalha de carteira assinada e tudo, numa dessas multimilionárias empresas estrangeiras. Não exija muito. Seu pai não exigiu, seu avô também não, seu bisavô muito menos. Ele era escravo. O bisavô do seu patrão também era patrão.

Hereditariamente, ano a ano, tudo no devido lugar, tudo pela branca ordem, explorados e exploradores. Tudo na mais perfeita ordem e progresso. O povo africano foi trazido seqüestrado para o Brasil numa época em que o continente africano estava em ascensão, para ser utilizado como animal doméstico, sem direito a opinião própria, religião e, pasmem senhoras e senhores católicos, sem direito a comer, com exceção dos restos. Não é de agora que o Brasil tem cadeira cativa entre os hipócritas e mentirosos.

Catolicismo hipócrita que até nos dias de hoje ilude nosso povo com as promessas de vida melhor após a morte, enquanto eu assisto meu povo morrer mais cedo por maus tratos e desilusões. Igreja hipócrita que deu a sentença de morte cerebral e física lenta e dolorosa ao povo negro, aceitando naturalmente um dos piores momentos da História em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Amém.

Hoje, o sistema tenta tapar o sol com a peneira fazendo uma COHAB aqui, outra ali - sempre bem longe do centro, é claro.

Muitas pessoas insistem em perguntar porque os afro-americanos conseguiram espaços em tantos setores da sociedade americana e os brasileiros não conseguiram muita coisa, além de Pelé e ... Não sabemos com quem lutar, todos dizem que são nossos amigos. Nos Estados Unidos a arma é apontada pela frente, os brancos de lá são menos covardes. No Brasil, a arma é apontada pelas costas. A segunda posição é mais cômoda pra quem segura a arma e torna a defesa mais difícil para quem é o alvo. Um exemplo simples:

Ku Klux Klan - organização de extrema direita branca que agia no sul dos Estados Unidos atacando pessoas negras declaradamente;

Grupos de Extermínio - os "pé-de-pato", como são conhecidos aqui na zona sul de São Paulo. Agem em São Paulo e Rio de Janeiro, matando mais que a KKK e o FBI juntos. Só que não é divulgado que a cada dez mortos, sete são negros;

Justiceiros - grupos de extrema direita, formado por pessoas brancas, negras, pardas, policiais, bandidos, comerciantes ...

Eu cresci assistindo televisão pelo menos oito horas por dia e sempre tinha aqueles galãs fabricados dizendo "compre isso, compre aquilo, alugue aquilo outro". Meu povo quando foi abolido por lei não recebeu nada como pagamento, nem indenização, nem terra pra plantar, nem liberdade de escolha. O Brasil é um país capitalista onde as pessoas valem o que têm - propriedades. Meu povo foi roubado e deserdado, não tem propriedade. É FODA! O povo que trabalha na terra não tem terra pra plantar e construir suas casas. Ninguém se responsabiliza, todos tiram o cu da reta.

Meu povo está se recuperando devagar de um nocaute na nuca, sem herança, sem nenhum alqueire e nenhuma mula. Sem apartamentos em Moema, restaurantes na Bela Vista ou lojas nos shopping centers. Sem direito a moradia e escola dignas. Mas está se recuperando sem a ajuda de ninguém. Por enquanto, estamos convencendo nossas crianças que elas não precisam ter longos cabelos louros e olhos azuis pra serem grandes homens e mulheres. Não precisam usar calças da Zoomp ou M. Officer ou andar com braço pra fora nos Tempras e Ômegas. FODA-SE TUDO ISSO. Sem mais, Mano Brown. Capão Redondo (SP), favela. Cada um com seus problemas - Poder para o povo preto - Revolução.

Mano Brown



THE JIMI HENDRIX EXPERIENCE - ELECTRIC LADYLAND - 1968
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NORMOSE



Há na maioria dos nossos contemporâneos uma crença bastante enraizada segundo a qual tudo o que a maioria das pessoas pensa, sente, acredita ou faz deve ser considerado normal e servir de guia para o comportamento de todas as outras pessoas.

Fatos e descobertas recentes sobre as origens do sofrimento e das doenças e também sobre as guerras, a violência e a destruição ecológica questionam seriamente a usualidade de certas "normas" ditadas pela sociedade e seus consensos.

Muitas normas sociais, atuais ou passadas, levam ou levaram a sofrimento - moral ou físico - indivíduos, grupos, coletividades inteiras e até mesmo espécies vivas.

Resolvemos adotar o termo de "Normose", para designar esta forma de comportamento visto como normal mas que na realidade é anormal. O termo foi forjado na França por Jea Yves Leloup.

A Normose é o conjunto de normas, conceitos, valores, estereótipos, hábitos de pensar ou de agir aprovados por um consenso ou pela maioria de uma determinada população e que levam a sofrimentos, doenças ou mortes, em outras palavras, que são patogênicas ou letais, e são executados sem que suas vítimas tenham consciência desta natureza patológica, isto é, são de natureza inconsciente.




DOWNLOAD: THE BUDOS BAND - 2005 -
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Todos os governos são erguidos sobre mentiras. Todas as organizações são erguidas sobre mentiras.

Quem são os malucos antidrogas? De onde vêm?

Fato: a cannabis é uma das melhores drogas para combater a náusea, aumenta o apetite e o bem-estar.

Também estimula os centros visuais cerebrais. Já tive tantas imagens ótimas conseguidas com cannabis. Na minha época de saladas, eu usava só ela, e que realizações consegui! ("E que acasalamentos!", como exclamou um crítico francês admirado.)

Algumas tragadas na teta verde e consigo enxergar múltiplas saídas e caminhos. Então por que tanta repressão a essa substância inofensiva e prazerosa?

Quem é você, para quem a verdade é tão perigosa? O que é a verdade? Algo imediatamente percebido como sendo a verdade.

Onde estão a cavalaria, a nave espacial, o esquadrão de resgate? Fomos abandonados aqui neste planeta governado por filhos da puta mentirosos, de poder cerebral modesto. Sem sentido. Nem uma minúscula fração de boas intenções. Filhos da puta mentirosos.


William Burroughs



LEGITIMIDADE NATURAL




Declaremos a natureza legítima. Todas as plantas deveriam ser declaradas legais, assim como todos os animais. A noção de plantas ou animais ilegais é absolutamente ridícula.

Terence McKenna





DOWNLOAD TORRENT: MACEO PARKER - MO'ROOTS - FLAC - 1991

UNIVERSOTÁRIOS




O mundo se cristaliza, se mumifica lentamente dentro das ataduras de suas fronteiras, de suas fábricas, de seus tribunais, de suas Universidades. O Espírito "gelado" range entre as lâminas minerais que o oprimem. E a culpa é de vossos sistemas embolorados, de vossa lógica de dois-e-dois-são-quatro; a culpa é vossa, Reitores, apanhados na rede de silogismos. Fabricais engenheiros, magistrados, médicos a quem escapam os verdadeiros mistérios do corpo, as leis cósmicas do ser - falsos sábios, cegos para o além, filósofos que pretendem reconstruir o Espírito. O menor ato de criação espontânea constitui um mundo mais complexo e mais revelador que qualquer sistema metafísico.

Deixa-nos, pois, Senhores - sois tão somente usurpadores. Com que direito pretendeis canalizar a inteligência e dar diplomas de Espírito?


Antonin Artaud



DOWNLOAD: MR SCRUFF - MR SCRUFF - 2006 - 192 Kbps
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MORTE AOS CORONÉIS

A LITERATURA E O HORROR




não há literatura sem projeto filosófico [não a filosofia enquanto História das Idéias, Pedagogia ou Disciplina, certa racionalidade, certa razão, mas projeto ético/político radical, projeto existencial de saber, ação escritural autoconsciente, projeto diferenciado e negativo: estratégias em busca da negatividade].no entanto a Literatura, normalmente, se funda enquanto perspectiva remodelada da sua própria tradição, da escrita religiosa, dos modelos populares, do jornalismo, da historiografia, da sociologia e até da antropologia sob formas literárias esperadas: conta uma história dentro dos horizontes formais: sua função é contar essa história (sua função é “fabuladora”: contar histórias pra dormir, pra fazer esquecer). o pensamento enquanto negatividade radical não é nem necessário nem possível na Literatura: não é necessário porque são estabelecimentos de formas que existem sem nenhuma radicalidade, nenhuma reflexão perigosa, nenhum pensamento a partir de outra perspectiva; nem é possível porque essa reflexão radical não faz parte da língua, da tradição literária nem da formação do escritor enquanto escrivão da hegemonia, um contador de histórias, um loroteiro vaidoso e letrado da oligarquia das letras, cuja função é reforçar o existente, amortecer o tempo, entorpecer a língua, dar continuidade.pensar o existente não quer dizer pensar com o existente, mas, necessariamente, contra o existente; não com suas aparências, tropos, tipos, modelos, fôrmas, modas, entonações, mas com uma negatividade que escave além do razoável, além das crenças que sustenta a existência do existente, articulando elementos que construam do real seu horror encalacrado.pensar contra faz aparecer não só as razões, os fundamentos, os planos e os movimentos do horror, suas redes e nódulos tecidos com os fios do medo, mas a aparência como uma das suas torções perversas: submeter-se à aparência é o mesmo que ser devorado pelo horror e ver que tudo isso é muito bom.enquanto o que tornou possível a Literatura foi o capitalismo e o universo burguês, o que torna possível a literatura é a pós-modernidade como esse mesmo capitalismo levado ao paroxismo: o fim das utopias, a mundialização radical do capital, a impossibilidade da revolução; o desaparecimento das crenças na história, na natureza em deus e no homem; a onipresença do horror, do sufocamento, da paralisia, do mercado.há uma relação íntima, carnal, entre o horror, as religiões, a hegemonia, o estatal, o mediano, o mercado, a mídia, a educação e a Literatura: sem esses planos penetrantes e abertos pro sim, pro como-não, pro aceito, pro tou-honrado, a Literatura não poderia representar o papel não apenas explícito, mas o papel subliminar e formativo: seu campo de atuação sendo na linguagem atinge diretamente o existente na medida da sua reprodução, manutenção e elogio.a literatura não existe como realidade ou como um já-feito, mas sim como projeto de saber (aquilo que, incompleto, busca o conhecimento através da negação: na dobra, na torção, o específico conhecimento literário, que não é conceitual como na filosofia: jamais universal, jamais regional, jamais nacional) que procura a consciência, se torna consciente e faz tornar consciente a radicalidade da sua negação, da sua perspectiva, da sua específica maneira de pensar e enfrentar o existente enquanto teatro do horror. mas não encontra nenhuma consciência reconhecível, mas aquela que se faz ao sabor-saber literário: não é busca pelo já conhecido, mas por aquilo que nasce de uma reconfiguração, de um outro arranjo. seus problemas, suas investigações, seus confrontos não são feitos com os materiais tradicionais da Literatura, da oligarquia das letras ou do lócus de inspeção, mas do enfrentamento com a língua dos planos vivos do horror.a literatura tem em artaud, bernhard, büchner, céline, genet, beckett, kafka, kavafis, lautréamont, mallarmé, melville, dostoievski, nietzsche, rilke, rimbaud, sade não origens ou genealogias, muito menos os trilhos tradicionais onde foram postos ou um paideuma, mas horizontes de contradição que alimentam as transversais da literatura enquanto enfrentamento do tempo com a linguagem do fundamento.literatura é o outro. é o encontro com outras vozes. é a expressão maior de individualidades. a resistência dessas individualidades. a manifestação plena dessas vozes e dessas vidas. vidas e vozes, experiências e vivências integrais, principalmente num tempo cada vez mais fascista onde o horror é o cotidiano, as relações, o profundo e o raso, o antes, o agora e o depois.a literatura não é mimética, é escrita limpa, sem nomes, sem tecnologias, contra a língua, contra as tradições, contra as tradicções, sem experimentalismo, a literatura é guerrilha contra o tempo: poética da negatividade.

Alberto Lins Caldas



CHUCK BROWN & THE SOUL SEARCHERS - BUSTIN' LOOSE - 1978
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NÃO IMPORTA QUEM GOVERNA





Assim, sob qualquer ângulo que se esteja situado para considerar esta questão, chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Esta minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e por-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo. Quem duvida disso não conhece a natureza humana.

Mikhail Bakunin




ANARCHIST ACADEMY - AM RANDE DES ABGRUNDS - 1993
http://www.4shared.com/file/y5C4Ipm1/Anarchist_Academy_-_Am_Rande_D.htm

CLANDESTINE INSURGENT REBEL CLOWN ARMY (CIRCA)




"Nós não podemos começar de um jeito perfeito e belo. Não tenham medo de começar como tolos, comece como um tolo."

Chogyam Trungpa


Roll up, roll up - Ladies and gentlemen, garotas e garotos, amigos e amigas: bem vindos ao único, ao inesperado, ao paradoxal, ao grotescamente belo, ao novo e inútil mundo do Clandestine Insurgent Rebel Clown Army (Exército Insurgente Clandestino de Palhaços Rebeldes).


Somos clandestinos por recusarmos o espetáculo e porque somos qualquer pessoa. Porque sem nomes reais, rostos e narizes, mostramos que nossas palavras, sonhos e desejos são mais importantes do que nossas biografias. Porque nós recusamos a sociedade da vigilância: que observa, controla, espiona, registra e acompanha cada um de nossos movimentos. Porque ao esconder nossa identidades nós recuperamos o poder de nossos atos. Porque caracterizados nós resistimos de uma forma engraçada e nos tornamos visíveis.

Somos insurgentes por termos surgido do nada e estarmos em todos os lugares. Porque idéias podem ser ignoradas mas não censuradas, e uma insurreição da imaginação é irresistível. Porque sempre que caímos nós nos levantamos de novo, de novo e de novo, sabendo que nada se perde historicamente, nada é finito. Porque a história se projeta em linha reta, mas surge como a água: às vezes escorrendo em espiral, às vezes pingando, fluindo ou inundando tudo - sempre irreconhecível, inesperada, incerta. Porque a chave da insurreição é o improviso, não meras reproduções baratas.

Somos rebeldes por amarmos mais a vida e a felicidade do que a 'revolução'. Porque nenhuma revolução se completa e as rebeliões são eternas. Porque não queremos mudar 'o' mundo mas sim 'nossos' mundos. Porque sempre iremos desertar e desobedecer àqueles que abusam e acumulam poder. Porque rebeldes transformam tudo: como vivem, criam, comem, riem, brincam, aprendem, trocam, ouvem, pensam e acima de tudo a forma como se rebelam.

Somos palhaços, afinal o que mais seríamos nesse mundo estúpido? Dentro de cada um de nós há um palhaço tentando se rebelar. Porque nada afeta mais as autoridades do que ridicularizá-las. Porque os idiotas são temíveis e inocentes, espertos e estúpidos, entertainers e dissidentes, curandeiros e subversivos. Porque um palhaço sobrevive a tudo e sempre se sai bem.

Somos um exército por vivermos num planeta em permanente guerra - a guerra do dinheiro contra a vida, o lucro contra a dignidade, o progresso contra o futuro. Porque uma guerra que se alimenta de sangue & morte e caga dinheiro & toxinas merece um corpo obsceno de soldados contestadores. Porque apenas um exército pode declarar uma guerra absurda contra uma guerra absurda. Porque o combate requer solidariedade, disciplina e comprometimento. Porque palhaços sozinhos são figuras patéticas, porém em grupos, brigadas ou batalhões são extremamente perigosos. Somos um exército por estarmos putos: onde as bombas falharem nós vamos rir e os ridicularizar. E nossas risadas precisam de eco.

Somos CIRCA por sermos próximos e ambivalentes, por estarmos no mais poderoso lugar: entre a ordem e o caos.

FUJA DO CIRCO
JUNTE-SE AO CIRCA



DJ SPINNA - STRANGE GAMES AND THINGS - 2001
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PRIMEIRO MUNDO


É uma farsa, é mentira, é engano,
País de primeiro mundo não existe.
Não é que não queremos,
Mas a tecnologia não cobre as vidas sofridas.
O mundo ainda convive com a fome, com a guerra,
Com o preconceito,
Com a miséria,
Ainda convivemos com a agressão ecológica.
A tecnologia não cobre os danos terrestres e vegetais.
Por isso, digo e repito:
Tecnologia computadorizada e medicinal,
Tecnologia industrial, especial,
Tecnologia nuclear atômica
Cuidado!
Pode ser uma bomba.
Por isso, digo e repito:
A tecnologia não cobre as vidas,
Esquecidas, e destruídas.

Darlen Gonçalves de Almeida



DOWNLOAD: FRED WESLEY & THE JB'S -
DAMN RIGHT I AM SOMEBODY - 1974








ARTO LINDSAY - NOON CHILL - 1998
http://www.mediafire.com/?7ordjpc52z12ecw



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DOWNLOAD: ONENESS OF JUJU - AFRICAN RHYTHMS - 1975
http://rapidshare.com/files/69967079/1975_-_African_Rhythms.rar